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Uma nova esperança para portadores de Retinopatia Diabética

By novembro 8, 2019 No Comments

A solução que pode ajudar a tratar e previnir a Retinopatia Diabética deve chegar à população nos próximos anos

retinopatia diabética

 

No Brasil, hoje, temos uma população de 13 milhões (6,9% do país) que convivem com diabetes, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Diabetes. Essa doença traz diversas complicações, sendo uma delas a chamada retinopatia diabética, que pode comprometer a visão de pacientes e, em estágios mais avançados, levar à perda total e irreversível da visão. O efeito da alta taxa de glicêmica (glicose no soro) acarreta em alterações neurais e vasculares na retina.  

Mas se temos um problema, podemos ter uma solução! 

 

E pesquisadoras da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp podem tê-la encontrado na forma de um colírio que trata e previne a doença. E o melhor, ele deve chegar à população nos próximos anos.

Apesar de não ter uma cura, já é possível encontrar outras opções terapêuticas para a retinopatia diabética, como a fotocoagulação com laser, as injeções intravítreas e até mesmo cirurgias. Entretanto, ao contrário da solução farmacêutica obtida na Universidade, todos estes métodos são invasivos, conforme a pesquisadora responsável pelos estudos Jacqueline Mendonça Lopes de Faria,

”A formulação farmacêutica contida no colírio permeia as barreiras oculares, carreando o princípio ativo até a retina. O colírio que desenvolvemos, por ser em apresentação tópica, não oferece riscos ao paciente”, conta a pesquisadora, que se afastou de suas funções na Unicamp para criar a SIGHT, braço P&D da M. Lopes De Faria Oftamologistas Associados.

Já em 2016 a solução despertou o interesse da população e de empresas e laboratórios farmacêuticos após ser noticiada em jornais e noticiários locais e nacionais e recentemente conquistou também o Prêmio Empreenda Saúde. Sendo um exemplo claro de como o investimento em pesquisa é capaz de gerar benefícios à sociedade.

Entretanto, Jacqueline destaca que a composição ainda está em estágio embrionário e que ainda deve ser desenvolvida até se tornar, de fato, um produto e poder ser utilizado em larga escala.

“Apesar de várias grandes empresas da indústria farmacêutica terem mostrado interesse na tecnologia, o desenvolvimento de um novo colírio ainda é precoce e depende de novas pesquisas por parte das inventoras”, avalia Jacqueline.

E foi aí que surgiu a ideia do licenciamento para sua própria empresa. Após novas pesquisas e desenvolvimento tecnológico, a ideia é que grandes empresas farmacêuticas realizem os testes clínicos em humanos e a comercialização do colírio. Ou seja, a solução será comercializada no modelo B2B, Business to Business, “Nosso cliente é a empresa e não o consumidor final”, ressalta.

A expectativa é que, nos próximos anos, o colírio possa ser utilizado em pacientes – tanto na prevenção, quando no tratamento da retinopatia diabética. Contudo, ainda há muito para fazer, como lembra a pesquisadora e empreendedora. 

“Precisamos de recursos para realizar testes de segurança aqui no Brasil e no exterior e, depois, montar um dossiê que será encaminhado aos órgãos reguladores para dar início às fases de testes, que envolvem desde segurança até eficiência”, frisa Jacqueline.

Um dos desafios da pesquisa está na produção em escala para a indústria farmacêutica. “As pesquisas devem convergir para o uso de matérias primas de alto grau de pureza, estabilidade do produto, escalonamento da produção para testes em uma maior população de animais e, posteriormente, em humanos”, complementa a professora Maria Helena Andrade Santana, da FEQ, e que também participou do desenvolvimento da composição.

A solução já foi testada em ratos de laboratório experimentalmente diabéticos, obtendo resultados promissores. A composição se mostrou eficiente ainda ao promover efeitos protetores na retina funcional e no estudo in vivo conduzido na Unicamp, não foram observados efeitos colaterais adversos.

“Nos experimentos, o uso do colírio possibilitou importantes efeitos neuroprotetores da retina em animais diabéticos, o que pudemos observar pelo eletroretinograma”, corrobora Jacqueline.

A responsável pelo desenvolvimento também afirmou o potencial do uso do colírio para tratar e prevenir outras doenças oculares, afinal, o uso do colírio facilita na administração do medicamento e não traz os riscos de um procedimento intraocular ou dos danos irreversíveis da fotocoagulação a laser na retina do paciente.

Também participaram no desenvolvimento da formulação farmacêutica a doutora Mariana Aparecida Brunini Rosales e Aline Borelli Alonso, mestranda na Engenharia Química. Os estudos contaram com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

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