Tecnologias, Inovações e Conhecimento | Martinato junto com CECOP

A Martinato em parceria com a CECOP, maior comunidade de ópticas independentes do mundo, fala sobre tecnologias e inovações em equipamentos desde 1912.

Confira a entrevista completa sobre mercado óptico, inovações, investimentos em tecnologias e muito mais.

As irmãs Julia e Liza Martinato fazem parte da história de uma das empresas mais consolidadas de equipamentos e máquinas voltadas à saúde visual. A Martinato foi fundada em 1912 e, desde então, mantém sua gestão familiar que, hoje, encontra-se na terceira e quarta geração. Enquanto Julia atua com Design, Liza está à frente de processos administrativos da companhia. São mais de 108 anos de história que agrega valor ao mercado ótico brasileiro.

Inovando ao longo do tempo, com equipamentos cada vez mais tecnológicos e modernos, a Martinato se destaca por sua qualidade. “É essencial pensarmos em novas tecnologias, novos serviços, analisar como o mercado está se movimentando, para quais direções ele está seguindo e, o mais importante, o que os nossos clientes e a área, tanto de refração quanto a ótica, estão precisando para melhorar”, pontuou Julia.

CECOP Brasil: Como se deu início a história da Martinato e como a empresa está posicionada hoje?

Julia Martinato: A Martinato nasceu em 1912, no Rio Grande do Sul. No início, era apenas uma relojoaria conduzida pelo meu bisavô, Guerino Martinato. Ele teve dois filhos, um deles se chama Aldo, que foi estudar na França sobre optometria e ótica.

Liza Martinato: O Guerino abriu essa relojoaria e ótica em 1912, só que, nessa época, não existia processos óticos no Brasil, vinha do exterior. As lentes eram de cristal e precisavam vir prontas. Então, meu bisavô comprava da Alemanha, assim como as armações. Isso acabava encarecendo o valor do produto, que parecia um artigo de luxo, uma joia.

O nosso avô Aldo, incentivado pelo Guerino, teve a oportunidade de ir para a França em 1949, logo depois da Segunda Guerra Mundial. Ele estudou ótica e optometria e foi o primeiro ótico e acredito que o primeiro optometrista do Brasil. Quando ele voltou, começou a desenvolver máquinas de surfaçagem, que são máquinas que pegam os blocos, as “lentes” como matéria-prima, e fazem a curvatura, cavando essas lentes para que elas fiquem no grau necessário para a pessoa corrigir o erro refrativo. Além dessas máquinas, oAldo ajudou a desenvolver o curso técnico em ótica no Senac.

Ele escreveu um livro que orientou todo o processo de ótica e o desenvolvimento do conhecimento óptico do Brasil. A partir disso, a Martinato se desenvolveu bastante nesse ramo. Tínhamos como carro-chefe equipamentos óticos e, há cerca de dez anos, entramos na área de equipamentos de refração. Passamos a comercializar equipamentos para consultórios. Também começamos uma linha nova chamada Ortóptica voltada à terapia visual para pessoas que têm dores de cabeça, estrabismo, entre outras dificuldades visuais.

 C: Atualmente, a Martinato é referência no mercado ótico, tendo inovado muito ao longo dos anos. Qual o maior aprendizado que vocês extraíram da sucessão familiar?

Julia: Nós tivemos um grande apoio familiar. A Liza entrou na empresa quando o nosso avô ainda estava à frente e ela aprendeu muito com ele. Eu entrei quando o Miguel, filho dele, estava no comando da ótica. Nós ainda estamos aprendendo muito. Não dá para ignorar o que o pessoal mais experiente conta, é muito importante. Mas, ao mesmo tempo, tem que colocar um pouco da sua cara na empresa. Os tempos mudam e vamos mudando com eles.

Liza: A Martinato, ao longo de 108 anos, tornou-se uma empresa muito sólida e tradicional e nós trouxemos essa ideia de dar uma nova cara à empresa. Quando a empresa foi fundada, não tínhamos tecnologias existentes hoje, como um telefone celular, por exemplo. São pontos completamente diferentes da realidade que vivemos hoje. Acho que foi bem interessante. A nossa família tem muito isso de cuidar das pessoas, então, nós temos pessoas que estão há muito tempo aqui na empresa e estamos sempre buscando gerar um ambiente legal, acolhedor, mas, ao mesmo tempo, eu e Julia trazemos essa ideia de inovação, empreender, analisar o que tem de novo, olhar para o mercado, ir para o mundo digital.

Existe um conflito de gerações no sentido de diferenças, mas estamos nos complementando. O nosso pai é bem flexível e tem nos apoiado em várias iniciativas e decisões que tomamos. E, acredito que por termos essa liberdade, estamos conseguindo desenvolver a empresa. Talvez, se não estivéssemos atuando na companhia, ela ficaria para trás no que diz respeito a inovação.

Mas confesso que tem sido muito desafiador. A Julia é designer, eu sou psicóloga de formação. A minha área é bem humana, o que também traz uma característica diferente para o jeito que eu trabalho, mas tenho aprendido bastante, seja estudando ou no trabalho prático.

C: No ponto de vista da Martinato, para o mercado ótico, qual é a importância de se manter um investimento constante em tecnologia?

Julia: É essencial pensarmos em novas tecnologias, novos serviços, analisar como o mercado está se movimentando, para quais direções ele está seguindo e, o mais importante, o que os nossos clientes e a área, tanto de refração quanto a ótica, estão precisando para melhorar, para conseguir atender melhor o cliente e poder trabalhar com maior facilidade. Participamos de diversos congressos, tanto no Brasil quanto no exterior, e estamos sempre em contato com pessoas de fora e de outras áreas para saber o que está acontecendo no mercado.

Liza: E até hoje acredito que essa questão da inovação e tecnologia, principalmente por causa da pandemia, segue muito importante. Atualmente, temos várias pessoas da nossa equipe trabalhando em home office, algo que não se imaginava antes. Existia essa resistência até das próprias pessoas de trabalharem em casa. O fato de sermos aberta à tecnologia nos possibilitou apoiar essas pessoas e fornecer todo o suporte necessário para elas desempenharem seu trabalho remoto, com todo o cuidado possível.

Outro ponto importante é oferecer um atendimento personalizado e ágil ao cliente, que está cada vez mais rápido nos processos de pesquisa, decisão e compra do produto. Sempre estamos buscando novas soluções para ofertar aos nossos clientes e isso está muito relacionado à inovação e tecnologia.

Julia: Hoje, o cliente está muito informado. Ele tem acesso à informação em qualquer lugar, qualquer momento, e tem também o poder de decisão de compra. É preciso especificar as informações do produto que você está oferecendo. Tem que ser claro.

C: As máquinas ofertadas pela Martinato são reconhecidas por sua qualidade de anos. Poderiam nos contar quais são os principais equipamentos que possuem no portfólio?

Liza: A Martinato se divide em algumas áreas. Dentro da ótica, nós temos a Surfaçagem. A grande solução que temos é o Freeform, uma máquina italiana que permite a fabricação de lentes multifocais de extrema qualidade.

Representamos uma empresa, chamada Comes, e, quando falamos de inovação e tecnologia na ótica e no laboratório, esse é o equipamento do futuro. Ele ainda tem o valor agregado significativo. Não é um equipamento barato, mas com certeza em breve vamos ver muitas óticas buscando pelo seu Freeform.

Freeform-martinato
Comes-italy-Ótica-martinato-freeform

Julia: E o Freeform é um equipamento com um valor não tão acessível, mas o ROI (Retorno Sobre Investimento) dele é muito grande.

Liza: Na área de surfaçagem, eu destaco o Freeform. Depois que temos a lente surfaçada, passamos para a área de montagem dos óculos. Nós trabalhamos com Facetadoras de uma empresa japonesa chamada Takubomatic, que trabalha com muita qualidade no acabamento da lente, no recorte e tem baixíssima manutenção.

Outro grande carro-chefe da Martinato são os Lensômetros e Pupilômetros, que são também equipamentos de excelente qualidade. Todos os Lensômetros da Martinato saem com certificado de qualidade. Nós ajudamos a desenvolver um certificado no Brasil com o Inmetro. Todos os Lensômetros são acurados para estarem lendo sem erro ou então com erro mínimo. Garantimos, realmente, que a leitura vai ser muito boa.

Depois da parte da ótica, temos a parte de refração, que são os consultórios, e eu posso dizer que o nosso carro-chefe é o auto refrator, lâmpada de fenda e mobiliário para consultório. Temos a linha Ortóptica e temos também os estereotestes, como o Fly Test. Conseguimos abranger várias áreas da visão.

Vale comentar que a Martinato tem a maior linha Ortóptica do país. Inclusive, é uma das únicas que fornece esses equipamentos no Brasil, porque a ortóptica é um nicho muito específico, mas o Aldo Matinato sempre acreditou muito na terapia visual e achava muito importante respaldar esses profissionais.

Julia

C: Para um empreendedor que acaba de inaugurar uma ótica, quais são as melhores tecnologias e equipamentos que podem ser adquiridos nesse processo?

Liza: Tem dois equipamentos que são necessários: o Pupilômetro e o Lensômetro. Quando fazemos a lente, temos que achar o centro ótico dela e ela tem que ser montada nos óculos em cima da nossa pupila. Então, o Pupilômetro vai medir exatamente onde está essa pupila para quando forem fabricados os óculos, por um terceiro, provavelmente, eles estejam em sua posição correta. Isso garante o conforto visual para o cliente. E o Lensômetro, que é utilizado para conferir a dioptria (grau) da lente, também garante a entrega correta para o cliente.

Julia: Em grande parte do Brasil, são equipamentos obrigatórios. Sem eles, uma ótica, realmente, não funciona.

Liza: Hoje, muitas óticas buscam se diferenciar, principalmente, pelo atendimento e a boa entrega do produto. Medir corretamente a pupila do cliente para entregar um produto montado especificamente para ele é essencial.

C: O mercado de lentes mudou com o tempo e, hoje, temos estratégias bem competitivas e modernas, como as Lentes ZOOM, por exemplo. Como vocês veem o futuro das lentes digitais?

Liza: Cada vez mais, as lentes progressivas e multifocais vão ser mais acessíveis. As pessoas acabarão optando por essas lentes, que hoje tem um valor agregado mais alto. Atualmente, como o equipamento Freeform é comprado por poucos laboratórios, ele se torna um equipamento de produção mais alta, porque tem pouca saída no mercado. Mas quando a economia começar a engrenar e o Freeform se tornar mais acessível, mais pessoas forem investindo, os clientes terão lentes progressivas com mais facilidade e qualidade.

Julia: O que eu vejo muito na questão da lente é que elas ainda vão continuar sendo as lentes simples, as lentes multifocais, mas acredito que cada vez mais a tecnologia será incorporada a elas. Já vemos projetos, por exemplo, de lentes de contato que conseguem dar um zoom de 50 vezes em um objeto. A Apple já avisou que vai lançar, a princípio em 2024, óculos digitais diferentes. Ao mesmo tempo que vão ser mantidas essas lentes tradicionais, nós vamos começar a abranger um mercado diferente. No Brasil, talvez, demore um pouco, principalmente por questões econômicas, mas eu vejo que é uma área que dá para ser muito bem explorada e que ela ainda não se desenvolveu por completo.

Liza: Além disso, alguns estudos mostram que a população está ficando míope por causa do uso de aparelhos eletrônicos. A demanda por óculos ainda vai existir, com certeza. As lentes que hoje são caras, ficarão mais acessíveis e nós iremos, certamente, ver a tecnologia chegar na lente.

C: Com todas as mudanças que vemos no varejo ótico, se vocês pudessem destacar uma dica aos empreendimentos independentes, qual seria?

Julia: A minha dica é um tanto quanto óbvia: investe no seu cliente, em redes sociais, no Google, em um site e fique sempre ligado na tecnologia, mas, principalmente, olha para o seu cliente.

Liza: O bom atendimento faz toda a diferença. Pode-se automatizar até mesmo algumas atividades, como: há um ano, o cliente veio e comprou seus óculos. De repente, envia uma mensagem perguntando como é que está o uso do produto e colocando-se à disposição. Então, manter o contato com o cliente, lembrar, perguntar sobre a adaptação aos óculos, chamá-lo para fazer uma manutenção, seja na haste, seja uma limpeza higiênica. Esses serviços agregados trazem o cliente para dentro dos espaços e são muito importantes.

C: Gostariam de sinalizar outra informação?

Julia: Gostaríamos de agradecer a oportunidade. É sempre muito legal contar a história da família e a Martinato tem uma ideia muito de trabalho de parceria com o nosso cliente. Queremos, também, cuidar do nosso cliente para que ele possa prosperar. Sabemos que não é um momento tão simples para isso, mas acredito que a CECOP traz grandes oportunidades para as óticas que, no fim, também são nossos clientes.

Leia a matéria original em: CECOP

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